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Histórico

Visão histórica do Departamento de Química Analítica 

O Instituto de Química foi uma das unidades estabelecidas na fundação da Universidade Estadual de Campinas, em 1962, tendo iniciado suas atividades em 1967, oferecendo aulas de Química aos alunos admitidos no primeiro vestibular. Naquela época, durante os primeiros dois anos, as mesmas disciplinas eram ministradas para todos os alunos das Ciências Exatas; somente depois eles optavam por suas carreiras. 

As aulas teóricas e de laboratório passaram a ser ministradas no campus de Barão Geraldo em 1970. Em 1971, os alunos e professores começaram freqüentar os blocos A e B do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (IQ/Unicamp). 

O Diretor, Guiseppe Cilento, Professor Titular do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ/USP), e quase todos os professores, foram inicialmente contratados em tempo parcial, vindos do IQ/USP para ministrar as aulas teóricas e práticas um ou dois dias por semana. Entre esses, o Professor José Salvador Barone, contratado em 1968. O Diretor Associado, Jayr Campelo, recém-doutor da Universidade Federal do Paraná, com mestrado nos Estados Unidos, era, nesta época, um dos poucos professores em tempo integral. 

Logo após o IQ ter se estabelecido no campus, a Diretoria iniciou contratações de docentes em tempo integral (RDIDP). Um dos primeiros na área de Química Analítica foi José Walter Martins, que obteve o seu título de Mestre nos EUA e foi contratado como professor assistente em julho de 1969. Outros bacharéis, mestres e doutores, formados no IQ/USP, também foram contratados. Entre eles Oswaldo Espírito Santo Godinho, que se doutorou no IQ/USP em 1969 sob a orientação do Prof. Dr. Pascoal Senise, e após ter sido contratado pela USP, transferiu-se para Campinas em 1972. Os bacharéis e mestres, entre eles Matthieu Tubino, contratado em 1971, iniciaram seus estudos de pós-graduação no incipiente programa de pós-graduação do IQ/Unicamp, na esperança que este novo Instituto logo tivesse seu programa de pós-graduação credenciado. O IQ também contratou alunos formados pelo seu próprio programa de bacharelado, com o requisito que os novos contratados lecionassem e, simultaneamente, iniciassem seu programa de pós-graduação no próprio IQ. Um dos alunos da segunda turma de química (formado em 1971) que aceitou essa tarefa foi Nivaldo Baccan, contratado em 1972, e outro, da turma de 1969 (formado em 1972), foi João Carlos de Andrade, contratado em 1974.

Pensando no seu programa de pós-graduação, a partir de 1971 o IQ também contratou diversas pessoas do exterior, a maioria com pós-doutorado, e outros mais experientes. Destes, o primeiro com ênfase em Química Analítica foi o Dr. Miguel Wiernik Goldbroch, um uruguaio então radicado em Israel, contratado em 1971. Vários outros estrangeiros (e brasileiros que tinham estudado nos EUA) chegaram ao IQ entre 1972 e 1978. Entre esses estava a Dra. Carol H. Collins, que chegou em 1974, com Ph.D. da Iowa State University, EUA, e experiência em diversas áreas de Química. Ao chegar, o Prof. Jayr indicou que a atuação da Profa. Carol no IQ seria na área da Química Analítica. Outro docente, o Prof. Walace Alves de Oliveira, que doutorou na Clarkson University, EUA, foi contratado pelo IQ em 1975.
 

O Departamento

O primeiro regimento da Unicamp deu aos departamentos a responsabilidade pelo ensino de graduação, implicando que cada Instituto ou Faculdade precisava ter departamentos para esse fim. Inicialmente o IQ propôs quatro departamentos, um para cada área fundamental da Química. Mas, devido ao tamanho do corpo docente naquela época, a proposta não foi aprovada pelas instâncias superiores e, em 1970, foram estabelecidos dois departamentos: o de Química Orgânica e o de Química Fundamental. Em 1973 o nome deste último mudou para Departamento de Química Analítica, Química Inorgânica e Físico-Química. 

O Instituto cresceu, a grande maioria dos seus professores atuava em tempo integral e possuía um programa de destaque em pós-graduação, um dos poucos na época no Brasil que oferecia mestrado e doutorado nas quatro áreas de química. Sendo assim, em 1980, uma reunião do corpo docente discutiu e aprovou a divisão do Departamento de Química Analítica, Química Inorgânica e Físico-Química em três, resultando em quatro departamentos: Química Analítica, Química Inorgânica, Química Orgânica e Físico-Química, como havia sido proposta uma década antes. Essa proposta foi encaminhada aos órgãos superiores da universidade e, em julho de 1983, foi aprovada pela Câmara Curricular da Unicamp.

O Instituto não aguardou a aprovação final da proposta de criação de quatro departamentos para iniciar sua atuação. Quase imediatamente, os professores do antigo Departamento de Química Analítica, Química Inorgânica e Físico-Química tiveram de escolher em qual dos três departamentos queriam se afiliar, com a implicação de que o departamento escolhido definiria a área na qual ministrariam aulas de graduação.

Em 1981, o Prof. Walace foi indicado o primeiro chefe do novo "Departamento" de Química Analítica. Quando o Prof. Walace assumiu a Diretoria do IQ em 1982, a Profa. Carol, então vice-chefe, assumiu a chefia do "Departamento". Em 1983, após a aprovação dos departamentos, o Prof. Matthieu Tubino foi eleito o primeiro chefe do Departamento de Química Analítica (DQA).

As linhas de pesquisa do DQA

Na área de Química Analítica, o Prof. Godinho, que trabalhou com a formação de complexos com aplicações analíticas na sua tese de doutorado, defendida na USP, teve o seu primeiro projeto de pesquisa no IQ na subárea de termoanalítica, projeto desenvolvido junto com o Prof. Aécio Chagas. Ele manteve esta linha de pesquisa durante toda sua carreira no IQ, aposentando-se em 1994. Durante esses anos, o Prof. Godinho também orientou projetos em cinética de complexação e, induzido pelo Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento (PNUD), no qual o IQ esteve envolvido entre 1976 e 1979, iniciou também a linha de eletroanalítica. Seu primeiro orientado nesta nova linha foi Luiz Manoel Aleixo, contratado em 1974, que continuou com projetos em eletroanalítica após seu doutorado.

O Prof. Walter Martins defendeu a sua tese de doutorado em 1974 (pelo sistema que permitia a defesa de tese sem ter cursado disciplinas e sem orientador formal no IQ) na subárea de separações, com ênfase em extração em fase única, linha de pesquisa que manteve durante toda a sua permanência neste instituto. Um dos alunos de doutorado do Prof. Walter foi Nivaldo Baccan e outro foi Gilberto Luis Jardim Pinto da Silva, contratado em 1981 e que se demitiu em 1992.

O Prof. Wiernik iniciou alguns projetos em radioquímica de transactinídeos, mas a única tese que ele orientou, a de mestrado do Nivaldo Baccan, utilizou cromatografia gasosa como ferramenta de análise. Em 1981, o Prof. Wiernik deixou o IQ, indo trabalhar em uma indústria no Uruguai. 

Os primeiros projetos da Profa. Carol tiveram ênfase em química radioanalítica, aplicando diversos métodos de separação para as análises. Com o seu envolvimento no programa PNUD Os seus projetos foram focados com maior ênfase nos métodos de separação cromatográfica. Como resultado, dois dos orientados da Profa. Carol, Antonio Luis Pires Valente, contratado em 1979 e que se doutorou em 1984, e Isabel Cristina Sales Fontes Jardim, contratada em 1981 e que se doutorou em 1983, iniciaram suas orientações em diferentes aspectos da cromatografia. Outro aluno da Profa. Carol, José Félix Manfredi, contratado em 1981, continuou as pesquisas com a radioquímica após o seu doutorado em 1983, mas logo pediu demissão para atuar na indústria. 

O Prof. Walace que fez seu doutorado nos EUA na sub-área de determinações termoanalíticas, manteve os seus projetos e seus interesses nesta área no IQ, nesta direção, ampliando-a com pesquisas envolvendo a técnica de injeção em fluxo contínuo (FIA). Seu aluno, Célio Pasquini, contratado em 1981, enfatizou novas técnicas de fluxo em seu doutorado, defendido em 1984, e, depois da defesa, implantou uma nova linha de pesquisa em instrumentação analítica. Esta linha também conta com os Profs. Ivo M. Raimundo Jr., contratado em 1986, e Jarbas J.R. Rohwedder, contratado em 1990.

O programa PNUD teve um dos seus focos voltado para a implantação de novas linhas de pesquisa no IQ, com ênfase na área de Química Analítica. Como já mencionado, a eletroanalítica e a cromatografia estavam entre estas novas linhas. Durante esse programa, o Prof. Aleixo fez um estágio em eletroanalítica na Finlândia com o Prof. Ari Ivaska e o Prof. Pires fez um estágio em cromatografia gasosa nos EUA com o Prof. Harold McNair. Outras subáreas apoiadas pelo PNUD foram espectroanalítica e quimiometria. Os Profs. João Carlos de Andrade, que se doutorou em radioquímica em 1980 sob a orientação do prof Kenneth Collins, e Nivaldo Baccan, com doutorado em síntese de complexos úteis para determinações analíticas em 1981, aceitaram desenvolver pesquisas baseadas na primeira sub-área. Ambos fizeram estágios no exterior para se aperfeiçoarem na área de espectrometria atômica. O Prof. Roy Edward Bruns, do Departamento de Físico-Química, após um estágio com Prof. Bruce Kowaski nos EUA, começou a orientar pesquisas na segunda sub-área; as dissertações e teses aplicando a quimiometria foram defendidas na área de química analítica. A linha de quimiometria também conta com o Prof. Ronei Jesus Poppi, contratado em 1994, que se doutorou sob a orientação do Prof. Célio em 1993.

Para o primeiro relatório à CAPES, em meados da década de 80, o Departamento de Química Analítica relatou sua atuação em seis linhas de pesquisa, a saber: Instrumentação e Automação, Métodos Analíticos de Separação, Métodos Eletroanalíticos, Métodos Espectroanalíticos, Métodos Radioanalíticos e Métodos Termoanalíticos. 

As contratações posteriores feitas pelo DQA contemplaram outras sub-áreas e outras linhas de pesquisas foram iniciadas. A construção de eletrodos para determinações eletroanalíticas foi implantada pelo Prof. Graciliano de Oliveira Neto quando se transferiu do IQ/USP para o IQ/Unicamp em 1985. O Prof. Graciliano aposentou-se em 1996, mas esta linha continua ativa no DQA com o Prof. Lauro Tatsuo Kubota, contratado em 1994. A Profa. Susanne Rath, contratada em 1998, trabalha na linha de eletroanalítica e também orienta projetos em cromatografia líquida. 

A sub-área com ênfase em Química Ambiental teve início quando o Prof. Wilson de Figueiredo Jardim, Ph.D. em biologia pela University of Liverpool, Inglaterra, foi contratado em 1984. O Prof. Wilson continua ativo nesta linha. Outra docente, contratada em 1998, a Profa. Anne Hélène Fostier, que obteve o seu doutorado na Université de Perpignan, França, também realiza investigações neste campo.

A sub-área de separações se expandiu. O Prof. Fábio Augusto, contratado em 1992, atua na área de cromatografia gasosa, que ele iniciou em sua tese de doutorado defendida em 1996, sob a orientação do Prof. Pires e também desenvolve projetos em preparo de amostras. A nova técnica de eletroforese capilar conta com três pesquisadores, todos contratados após 2001: Carla Beatriz Grespan Bottoli (2004), José Alberto Fracassi da Silva (2004) e Dosil Perreia de Jesus (2006).

Similarmente, a sub-área de espectroanalítica abriu novas linhas. A Profa. Solange Cadore, contratada em 1987 e que se doutorou com Prof. Nivaldo em 1991, trabalha com espectroscopia atômica (absorção e emissão), e a Profa. Maria Izabel M.S. Bueno, contratada em 1984 e que se doutorou com Prof. João Carlos em 1990, investiga aplicações analíticas da fluorescência de raios-X.

Outras linhas foram implantadas tais como Ensino de Química, pela Profa. Adriana Vitorino Rossi, que se doutorou com Prof. Tubino em 1995 e foi contratada em 1996, Preparo de Amostras pelo Prof. Marco Aurélio Zezzi Arruda, com doutorado na Universidad de Cordoba, Espanha, contratado em 1996, e Bioanalítica pela Profa. Ana Valéria Ana Valéria Colnaghi Simionato Cantú que se doutorou no IQSC/USP em 2005.

Em 2007 as linhas de pesquisa do Departamento de Química Analítica ainda incluem quatro das linhas de pesquisas de 25 anos atrás a Eletroanalítica, a Espectroanalítica, a Separações e a Instrumentação Analítica, que foram expandidas para com a inclusão das novas linhas Bioanalítica, Ensino de Química, Preparo de Amostras, Química Ambiental e Quimiometria.

Chefes do Departamento de Química Analítica

1981-1982: Walace Alves de Oliveria
1982-1983: Carol H. Collins
1983-1985: Matthieu Tubini
1985-1987: Nivaldo Baccan
1987-1989: Oswaldo E.S. Godinho
1989-1991: Luis Manoel Aleixo
1991-1993: Graciliano de Oliveira Neto
1993-1997: Matthieu Tubino
1997-1999: Luis Manoel Aleixo
1999-2003: Isabel Cristina S. F. Jardim
2003-2005: Ronei Jesus Poppi
2005- 2009: Jarbas J. R. Rohwedder

Professores do DQA (início do contrato - saída)

Adriana Vitorino Rossi (1996 - )
Anne Hélène Fostier (1998 - )
Antonio Luiz Pires Valente (1979 - 2002, falecido)
Carla Beatriz Grespan Bottoli (2004 - )
Carol Hollingworth Collins (1974 - 1996, Professora Colaboradora)
Celio Pasquini (1981 - ) 
Dosil Pereira de Jesus (2006 - )
Fabio Augusto (1992 - )
Gilberto Luis Jardim Pinto da Silva (1981 - 1992, transferiu a FAENQUIL)
Graciliano de Oliveira Neto (1985 - 1996, aposentado)
Isabel Cristina Sales Fontes Jardim (1981 - )
Ivo Milton Raimundo Junior (1986 - )
Jarbas José Rodrigues Rohwedder (1990 - )
João Carlos de Andrade (1994 - )
José Alberto Fracassi da Silva (2004 - )
José Félix Manfredi (1981 - 1984, saiu para indústria)
José Walter Martins (1969 - 1995, aposentado)
José Salvador Barone (1968 - 2007, Professor Colaborador)
Lauro Tatsuo Kubota (1994 - )
Luis Manoel Aleixo (1974 - 2003, falecido)
Marco Aurélio Zezzi Arruda (1996 - )
Maria Izabel Maretti Silveira Bueno (1984 - )
Matthieu Tubino (1971 - )
Miguel Wiernik Goldbroch (1971 - 1981, saiu do país)
Nivaldo Baccan (1972 - 2003, Pesquisador Colaborador)
Oswaldo Espírito Santo Godinho (1972 - 1994, aposentado)
Ronei Jesus Poppi (1994 - )
Solange Cadore (1987 - )
Susanne Rath (1998 - )
Walace Alves de Oliveira (1975 - 1995, aposentado)
Wilson de Figueiredo Jardim (1984 - )

Genealogia do Departamento